Praça Saens Peña, escrito e dirigido por Vinicius Reis, é mais um gremlin, desses que o cinema brasileiro parece ser campeão mundial em produzir. Sem substância, uma mera reencenação daquilo que se imagina ser a realidade, o longa espreme atores competentes - Chico Diaz, Maria Padilha - num draminha sonso.
Paulo (Diaz) é um professor (ao que parece de História) com aspirações literárias. Casado, pai de uma filha, vive no lodo que conhecíamos no Brasil como classe média: trabalha muito, ganha pouco e fim de papo. A vida é modesta, mas é honesta, e quase nada fará com que Paulo se arrisque numa aventura profissional aos quarenta e poucos anos. Eis que surge o convite de uma editora para que ele escreva um livro sobre a história do bairro da Tijuca. Coincidência da vida, Paulo é especialista em Tijuca.
Sentir-se um imbecil à esta altura durante a exibição do longa não é crime: Praça Saens Peña dá essa sensação de estupidez porque não se decide. Quer ser drama, mas joga com a não-ficção, quando Paulo entrevista o compositor e letrista Aldir Blanc num bar tipicamente tijucano. Quer ser crítico de uma realidade inventada, mas esbarra numa canastrice sem limites (pelos bons serviços prestados, Chico Diaz e Maria Padilha estão absolvidos de ter participado dessa atrocidade). A gracinha chamada Isabella Meireles, que interpreta a filha do casal, escapa porque ainda é uma gracinha. Faz a típica garota de classe média de qualquer grande cidade brasileira sem maiores problemas. Gustavo Falcão tem participação tão desprezível que já ia ficando de fora nesta resenha...
É também, além da canastrice explícita em cena, na insistência do diretor em poetizar a Tijuca que reside o fraco de Praça Saens Peña. A tentativa de tornar ainda mais importante um lugar que já não tem, há muito tempo, a importância devida, soou simplesmente como uma bobagem de principiante. Caso se concentrasse em esculpir melhor seu drama, o diretor faria um bem ao público e a si mesmo.
Praça Saens Peña
Brasil, 2008. 100 minutos.
Direção: Vinicius Reis
Com: Chico Diaz, Maria Padilha e Isabela Meirelles.


















